quinta-feira, 10 de maio de 2018

Devem ser feitas orações nas escolas públicas?...

A resposta é não e sim. O professor não deve ser autorizado a fazer orações de qualquer confissão religiosa durante a aula, e nisto estou de acordo com o que são contra as orações nas instituições públicas de ensino. Isto inclusive está previsto no Projeto Escola Sem Partido: o professor NÃO DEVE ter licença para exercer qualquer forma de doutrinação sobre as turmas de estudantes a ele confiadas! Cabe a ele apenas ensinar bem a matéria escolar que lhe compete, honrando assim o salário que recebe. 
É justo e bom que a sala de aula seja neutra em matéria de religião,
mas não a escola inteira e as instituições públicas em geral.
No entanto, no início de cada dia letivo, isto é, antes das aulas, deveriam ser rezados, no pátio escolar, ao menos as seguintes orações: o Vinde Espírito Santo, o Pai Nosso, a Ave Maria, o Santo Anjo do Senhor e o Glória ao Pai. Não leva nem 5 minutos para rezá-las! Nos intervalos maiores entre as aulas, seria ótimo se houvesse um padre disponível em cada escola para ouvir confissões e aconselhar os alunos que o procurassem, de segunda a quinta-feira. No intervalo da sexta-feira, celebração da Santa Missa! 
Toda escola pública deveria ter um serviço de capelania católica
Portanto, sou a favor de que nas escolas públicas haja não apenas orações católicas, mas celebração semanal de Missas nas escolas, atendimento de confissões e direção espiritual por sacerdotes bem preparados para este apostolado. O Brasil nasceu sob a cruz de Nosso Senhor, por isso foi chamado inicialmente Terra de Santa Cruz. 
Fundadores da cidade de São Paulo
O Brasil, enquanto nação, foi fundado por missionários católicos e índios convertidos ao catolicismo, como os da tribo do cacique Tibiriçá, que fundaram a cidade de São Paulo com os padres jesuítas, ou os índios da tribo de Araribóia, que fundaram Niterói e ajudaram os portugueses a defender e fundar o Rio de Janeiro. Acaso seria justo que uma nação fundada sob a égide da Santa Cruz seja impedida de cultuar publicamente o seu Senhor e Salvador conforma a fé e a doutrina de seus antepassados?...
Eventualmente, até mesmo bispos poderiam se fazer presentes nas escolas
para transmitir a sabedoria e a graça misericordiosa de Jesus aos estudantes
Muitos estudantes são expostos (inclusive dentro das escolas) às drogas, às péssimas influências de indivíduos maliciosos e a realidades de desorientação moral e violência. Isso sem mencionar os incontáveis tipos de problemas familiares que muitos deles enfrentam diariamente ou as situações de precariedade que observam em suas comunidades de origem. Para poderem lidar melhor com tudo isso e com as suas próprias dificuldades e questões pessoais, um contato mais próximo com bons sacerdotes ou catequistas bem formados poderia ser de incalculável ajuda na formação desses jovens! 
A orientação de bons padres poderia fazer um bem imenso aos alunos
É justo e legítimo, portanto, que o Estado brasileiro promova (sem obrigar) a prática da sua fé fundadora: a fé de Pedro, Paulo e dos demais apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo. É justo que seja honrada a memória dos primeiros missionários que aqui chegaram, enfrentando incontáveis perigos, dificuldades e martírios para evangelizar os nativos. É justo que o divino Redentor da humanidade e sua amorosíssima e virtuosa Mãe sejam honrados publicamente! 
A Mãe do Senhor foi nossa co-redentora, uma vez que uma espada de dor lhe transpassou a alma ao ver o Filho crucificado (Lc 2, 35). Só isso já seria motivo suficiente para querermos honrá-la também nos espaços públicos!
Quanto aos protestantes, pagãos, ateus e outros, a liberdade de não participar do culto católico realizado em espaço público ou privado lhes deve continuar sendo tranquilamente assegurada, como sempre foi. Há muitos países cujos Estados são confessionais (isto é, confessam uma crença religiosa específica), mas que dão plena liberdade de culto aos seus cidadãos de outros credos. Uma coisa não impede a outra. Exemplos são a Inglaterra anglicana, a Dinamarca luterana, o judaísmo de Israel e o catolicismo de Mônaco, da Costa Rica e de Malta.
Dias comandou uma tropa de negros católicos que ajudaram a defender o Brasil
A ideia de um "Estado laico" é uma usurpação! Este país foi fundado, edificado e defendido basicamente por católicos! (Inclusive católicos de origem africana, como os que compunham a tropa de Henrique Dias na histórica batalha contra os invasores calvinistas holandeses). 
Brasão do 1º Império do Brasil, de D. Pedro I, sustentado por Anjos
No centro do brasão e sobre a coroa está a Cruz de Cristo
É claro que muitos protestantes, pagãos e até ateus também ajudaram a construir o Brasil, mas apenas minoritariamente. O Brasil não nasceu luterano, umbandista ou ateu, nasceu católico. Os demais têm a liberdade de culto privado e o direito à objeção de consciência (que lhes dá a opção de não tomarem parte nas práticas com as quais não concordam) e isto lhes basta.
Primeira Missa celebrada em território brasileiro.
Pero Vaz de Caminha narrou que índios participaram devotamente.
É justo e necessário que Cristo e sua beneficente doutrina reinem nos corações, nos espaços públicos e em toda parte, para Sua honra e glória e em vista da salvação das almas e do bem de todos os povos, inclusive dos que ainda não O conhecem! 

+ Christus vivit, Christus regnat, Christus imperat +

sexta-feira, 4 de maio de 2018

O que é um santo?...

Recentemente assisti um filme produzido pela RAI sobre a vida de S. Giuseppe/José Moscati. Não sei exatamente quais cenas no filme foram "acréscimos" ou "adaptações" da vida do santo para o cinema e quais correspondem fielmente à sua biografia, mas devo dizer que este longa-metragem me comoveu e deu muita matéria para reflexão!
Aproximando-se do final do filme, peguei-me pensando que ele havia fracassado e havia perdido tudo: a mulher que amava, a cátedra para lecionar na faculdade de medicina, o melhor amigo, os objetos de valor de sua casa, os postos que poderia ter alcançado na sociedade... Mas só nas cenas finais o filme fez eu me dar conta, comovido, do mundanismo da minha percepção: ele havia perdido, sim, todos os bens menores e passageiros para ganhar o Bem maior, supremo e eterno! Venceu-se e agora triunfava entre os felizes eleitos! Agora ouvia: "Muito bem, servo bom e fiel! [...] Entra e participa da alegria de teu Senhor!"

E fiquei pensando sobre esta realidade: ser santo não é outra coisa senão atualizar em si a kenosis de Cristo! É presentificar novamente o Cristo na história humana!
Uma mulher que trabalha muito no hospital e se dedica ao próximo sem esperar deles nada em troca, ao lado de um médico que exerce o seu exigente ofício mais por amor do que por qualquer outra coisa. Poderá o mundo compreendê-los?
E pensei ainda no quão derrotado eu poderei ser se, ao fim da vida, o mundo me julgar bem sucedido, alguém que "venceu na vida"! E quão vitorioso posso chegar a ser, ainda que o mundo me despreze e me considere um fracassado! O cristianismo é, realmente, uma fé incompreensível para a lógica do mundo, "escândalo para os judeus, loucura para os pagãos"! Não admira que o cristão seja alvo de deboches, incompreensões, escárnios, censuras e, não poucas vezes, perseguições! Ele contraria tudo o que o mundo insano mais ama, nega o que o mundo promove, rejeita o que o mundo enaltece, contraria toda a lógica (hedonista, egoísta e soberba) da autossatisfação como prioridade da vida!
São José Moscati, rogai por nós.
Não há nada mais transgressor, ousado e anti-sistêmico do que se aventurar a compreender as razões profundas do cruz e abraçá-las como um projeto próprio e radical de vida! Sim, um cristão santo é um audaz revolucionário, mas não porque brada "contra o capitalismo" (como gostaria o padre de passeata mancomunado com o socialismo), mas sim porque o santo testemunha uma verdade incômoda: uma vida alheia às modas e à volúpia do mundo não só é possível, mas é também superior, é melhor, é mais razoável, mais vitoriosa e mais feliz! E isso não é algo que os mundanos estejam dispostos a perdoar! < Para ler mais sobre S. José Moscati: http://cleofas.com.br/jose-moscati-o-medico-santo-eb/ >

Desconstruindo o conceito de Freud sobre a religião

Se, como apregoava o "pai da psicanálise", as religiões e a crença de tantas pessoas em Deus não passam de autoenganos e ilusões causados pela necessidade do homem de sentir-se protegido por um pai poderoso (isto é, pela sua insegurança), pela necessidade de se inebriar de algo que lhe tire o foco da realidade presente (a fim de poder suportar o sofrimento e a miséria da vida humana) ou, ainda, pela necessidade de cultivar a esperança numa existência que lhe permita subsistir para além da inexorável morte (isto é, pelo medo de morrer), então como explicar que mentes tão ou mais científicas que a de Freud tenham considerado perfeitamente razoável crer em Deus?
Tomando essa premissa freudiana por verdadeira, todas as pessoas prósperas (de situação financeira confortável), saudáveis e que lidam diretamente com ciências que envolvem um alto grau de racionalização deveriam ser ateias. O que não se confirma a partir da observação da realidade. Se tal premissa fosse verdadeira, não seria possível a existência de cientistas brilhantes, prósperos e teístas, como Max Planck, Benjamin Carson, Frank Tipler, Francis Collins, John Barrow, Louis Pasteur, Antoine Lavoisier, Gregor Mendel, Nicolau Copérnico, Isaac Newton, Santiago Moure, Landell de Moura, Alexis Carrel, e tantos outros. 

Creio que Freud até deu algumas contribuições importantes para a compreensão da psique humana, mas muito do que ele escreveu não passava de palpite. Sim, em diversos assuntos sobre o quais escreveu, Freud não passou de um palpiteiro. Entretanto, muitas bobagens que Freud escreveu são disseminadas à exaustão (e às vezes elevadas indevidamente à categoria de dado científico) porque são úteis a um certo projeto político e cultural. 

Naquilo que Freud parece útil aos ideólogos de esquerda (como seu ateísmo e seu pan-sexualismo), eles assimilam e espalham, mas naquilo de Freud que lhes desagrada (como seu machismo), eles nem mencionam. Portanto, não levemos Freud e os freudianos tão a sério... Lembre-se da desgraça que freudianos como Reich e Marcuse fizeram à cultura dos países ocidentais.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Beleza física: bênção ou maldição?...

Será que ser considerado(a) belo(a) e atraente aos próprios olhos e aos olhos dos outros é realmente uma vantagem, uma dádiva invejável e um trampolim para ter sucesso na vida?...


A moça que, desde muito jovem, vê-se cortejada por vários rapazes e percebe que poderia escolher um namorado entre várias opções seria, de fato, uma sortuda?...

E o rapaz que, com frequência, recebe olhares, atenções e charmes das mulheres, é um afortunado?...

Em 2015, David Robson publicou um artigo no site da BBC Future falando sobre "o surpreendente lado ruim de ser bonito". Mas convém deixarmos as conclusões deste artigo para depois e fazer algumas reflexões prévias sobre o assunto:

Logo no começo da sua República, Platão nos ensina, através de um diálogo entre Sócrates e Céfalo, que a juventude, em virtude das paixões e ímpetos que lhe são próprios (como a vaidade, ou a pulsão sexual), pode ser um tipo de "déspota" na vida do homem. 

O jovem é impelido pelos desejos que o dominam na mocidade, dominado pelas paixões que lhe obstaculizam a aquisição da sabedoria, dificultando que ele se faça guiar mais pela razão do que pelos impulsos

Em uma fala, Sócrates atribui a sabedoria dos velhos à sua experiência acumulada, mas seu interlocutor sugere que ela também deve ser atribuída ao fato de que a velhice liberta o homem do jugo das paixões que o subjugam na mocidade. 

A cada dia que passa isso é menos verdade, pois os velhos de hoje, que cresceram já em anos de cultura decadente, raramente são de fato sábios e livres de suas paixões. Prolongar a juventude artificialmente, aliás, tem sido uma demanda crescente. 

De qualquer forma, porém, permanece válida a reflexão platônica sobre a utilidade de sermos livres das paixões. Vejamos um trecho das considerações de Céfalo:

"Bem me lembro de uma ocasião em que estava junto de Sófocles, o velho poeta, e alguém lhe perguntou: 'Como vais, Sófocles, no que diz respeito ao amor? És ainda capaz de estar com uma mulher?' E ele respondeu: 'Sossega, homem! Com a maior satisfação me livrei dele, como quem se livra de um déspota furioso e selvagem.' [...] Pois é certo que a velhice traz consigo uma grande paz e liberdade; quando se embota o acicate das paixões, sucede exatamente o que dizia Sófocles: libertamo-nos não apenas de um tirano, mas de muitos."

A ilusão da vaidade, embora típica da juventude,
pode nos subjugar em qualquer período da vida

Note-se que o indagador de Sófocles, ao falar de "amor", claramente não se referia à philia (amizade pura) ou ao ágape (amor oblativo), mas sim ao eros, às relações sexuais. 

E Sófocles lhe responde de modo surpreendente: em vez de lamentar-se, manifesta satisfação por já não estar sujeito à pulsão sexual. Quão oposta à mentalidade moderna é esta filosofia, não?...

Visitando outro dia em Curitiba uma exposição de pinturas e desenhos de Guido Viaro, finado artista ítalo-brasileiro, notei que as suas primeiras obras, suas obras de juventude, eram fortemente marcadas pela sensualidade, com muitos nus, embora não chegassem a ser explicitamente pornográficas. 

Porém, em suas obras posteriores, nas obras da maturidade, o mesmo artista dedicou-se a temas incrivelmente distintos das primeiras. Nas obras de sua velhice o pintor retratou sobretudo cenas bíblicas e representações clássicas da fé católica, como a Paixão de Cristo.

Essa mudança temática observada nas obras do artista em questão talvez nos permita concluir que, à medida que vamos envelhecendo, ou nos tornando mais sábios e temperantes, os nossos interesses e preocupações principais vão se desapegando de certa obsessão pelo que deleita o corpo, que já não impele à satisfação dos instintos como antes, e se dirigindo mais ao espírito. 

Os objetos principais dos pensamentos do homem maduro, com o tempo, vão se deslocando da carnalidade à espiritualidade. E isso traz maior paz, serenidade e capacidade para fazer escolhas mais acertadas. 

Assim, a tese (platônica) de que a juventude seria menos favorável à vida sábia do que a velhice - não apenas pela falta de experiência dos jovens, mas também pelos efeitos das paixões sobre eles - parece fazer muito sentido.

Mas o que tudo isso tem a ver com a beleza física?

Bem, as pessoas mais belas, sobretudo quando jovens, são mais suscetíveis às paixões e vaidades, justamente porque são mais desejadas e carregam consigo uma autoimagem, muitas vezes, erotizada também.

Narciso afogou-se por dar valor excessivo à sua beleza;
por pura vaidade perdeu a vida.

Bem, voltando ao artigo da BBC (que se baseou numa pesquisa feita nos EUA), ele sugere que as mulheres bonitas podem ser preteridas por outras menos belas numa seleção para cargos de autoridade. Parece que as beldades não transmitem autoridade ou não impõem muito respeito aos demais. 

Também aponta que um entrevistador pode rejeitar mais facilmente os candidatos a uma vaga de trabalho que forem do mesmo sexo e mais bonitos que o próprio entrevistador. E ainda que os médicos tendem a subestimar a gravidade dos problemas de saúde dos pacientes mais belos, e que pessoas com uma beleza muito intimidadora podem desencorajar os outros a interagirem com ela. 

É claro que o artigo também menciona as vantagens dos bonitões, que vão desde notas mais favoráveis nas avaliações escolares até salários mais altos no trabalho, sobretudo em postos onde a atratividade do funcionário favoreça a empresa. Mas deixa claro que as desvantagens também existem.

Mas, voltando a Platão, será mesmo que a beleza física, tal como a juventude, também poderia representar um empecilho para se ter uma vida sábia, prudente e realizada?... 

Será que a atratividade também dificulta a opção por caminhos e condutas que poderiam ser, no longo prazo, mais benéficos?... 

Será um corpo belo capaz de compensar por uma alma frívola e vazia?

Uma garota muito bela certamente será, desde cedo, muito mais assediada por homens - entre eles os mais egoístas, mentirosos, cafajestes, aproveitadores e toda sorte de patifes. Ela será mais cobiçada e terá dificuldades em ter relacionamentos duradouros, sinceros e que não sejam motivados unicamente pela sua beleza física e pelo prazer que esta proporciona.

Ao se sentirem desejadas o tempo todo, elas se envaidecem, dão excessiva importância a isso, gastam mais tempo e outros recursos para se exibir, manter ou aumentar a atratividade de sua aparência, e sofrerão muito mais se um dia perderem esta beleza por um trágico acidente ou doença.

O narcisismo hodierno fica patente, por exemplo, nas redes sociais

A beleza física também será um problema na hora de escolher um(a) companheiro(a) definitivo, pois pessoas belas tendem a rejeitar quem elas acham que "não está à altura" delas. Assim, facilmente assumem critérios errados, e podem facilmente trocar uma pessoa de beleza mediana, porém de caráter justo e sentimentos puros, por alguém belíssimo, mas de mau caráter, mentiroso e interesseiro. 

E se elas tiverem muitos casos passageiros antes de escolher alguém de valor para partilhar a vida, quando a "pessoa certa" surgir ela pode perder o interesse por conta do histórico excessivamente "rodado" do bonitão ou da beldade, ou por sua dificuldade de se manter num relacionamento estável com uma única pessoa.

Ao exibir com orgulho as suas carnes, o vaidoso não se lembra que
estará morto em algumas décadas; do seu corpo restarão apenas ossos e, depois, pó.

Pessoas muito belas e que se sentem muito desejadas podem facilmente se tornar egoístas, fúteis, orgulhosas e superficiais. O assédio insistente de outras pessoas atraentes do sexo oposto podem ainda levá-las a escolhas (encontros sexuais, "trabalhos" degradantes ou casamentos ruins) das quais elas muito se arrependerão depois. 

O poder de atração de uma pessoa parece ser inversamente proporcional à sua liberdade em relação à pulsão sexual. Pessoas muito atraentes tornam-se mais facilmente "escravas da carne" e da sensualidade.

Ao contrário, uma jovem de beleza média ou bastante desprovida de beleza, embora seja menos desejada, tem mais chances de encontrar alguém que a ame pelo que ela é na sua essência, pelo que ela manifesta do seu eu interior. Moças menos belas tem menos poder de conquista, mas também são mais livres.

O que de perto pode parecer apenas um cuidado de si,
com um olhar distanciado pode revelar uma vaidade estéril e mortífera.

Dentre os homens que certamente irão tentar conquistar as mais bonitas, figuram sobretudo aqueles que também são considerados muito bonitos e que sentem que poderiam possuir qualquer mulher que lhes aprouvesse, na hora em que quisessem. 

Assim, tanto elas quanto eles estão mais propensos a terem relacionamentos de laços fracos, muito mais carnais, mais impelidos pela atração física, e mais vazios espiritualmente, desprovidos de amor autêntico e de admiração pelas qualidades morais e espirituais do outro.

Depois, meninas muito belas estão mais vulneráveis a perderem a virgindade precocemente, entregando a qualquer um (geralmente ao mais gatão e arrojado da turma) o inestimável dom da pureza, que elas deveriam reservar unicamente para aquela pessoa que Deus destinou para a vida delas! 

Uma linda moça também pode ter um número maior de relacionamentos complicados - se motivados unicamente pela atração física -, e dificilmente poderá saber se a pessoa que ela tem junto de si a ama pelo que ela é na sua interioridade ou apenas pelo seu rostinho e corpo bonitos!

"Este é o espelho que não te engana"

Como o diálogo da República de Platão quase sugere, as "vantagens" sociais que a juventude e a beleza física trazem consigo também dificultam que as pessoas jovens e belas tenham aqueles valiosos momentos de insatisfação e de tristeza que nos fazem abstrair um pouco do mundo material e social e nos levam à reflexão ponderada sobre questões mais sérias e definitivas

Neste sentido, uma bela aparência pode ser mesmo um empecilho à filosofia, a uma vida criteriosa e regrada por aqueles necessários momentos de reflexão. 

Afinal, quem é muito belo e querido por todos pode sentir que tem "o mundo a seus pés", sobretudo se também tiver algum dinheiro. 

E, numa vida assim, muito satisfeita e acomodada com o que a natureza e a sorte lhe deram, pra quê refletir sobre coisas sérias, não é mesmo?...

Não é à toa que os santos aparecem muitas vezes com caveiras, como este São Jerônimo de Caravaggio. Elas os lembravam da sua mortalidade, inibindo o relaxamento e afastando qualquer orgulho e vaidade.

Pessoas muito belas também podem ser bem menos inclinadas à espiritualidade, a cultivar uma vida interior de comunhão com Deus. 

Eles facilmente podem sentir que "não precisam de Deus" se a sua beleza lhes facilita muito a vida e provê o acesso a muitas coisas que elas desejam. 

Podem, portanto, estar mais sujeitas à condenação eterna do inferno, justamente por causa das ilusões e prepotências que a sua formosura e a adulação dos outros lhe causam

Neste sentido, ser belo poderia ser antes uma maldição do que uma bênção!

Uma pessoa deslumbrante, se não se cuidar, pode ser arrastada à perdição devido àquela sensação que a sua beleza lhe traz de poder ser perfeitamente feliz neste mundo (e que a faz querer aproveitar ao máximo - e irresponsavelmente - o aqui e agora, esquecendo-se do quanto esta vida é passageira e do quanto as coisas mundanas são vazias em si mesmas). 

"De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder sua alma?

É muito oportuna esta pergunta de Jesus (Mc 8,36) se aplicada ao caso em questão, já que a beleza pode fazer-nos ganhar muitas coisas que serão inúteis após a morte e perder aquela que é a mais importante: o amor de Deus nosso criador. 

Às pessoas atraentes e afastadas dos verdadeiros Bens que não perecem, Ele talvez diria: 

"De que vale você ser servido(a) e desejado(a) por todos na terra e, depois, queimar para sempre no inferno com esse rosto e esse corpo de que se orgulha tanto?"

O mesmo vale para os voyeurs, os que assistem pornografia e todos os que olham para as outras pessoas com olhar impuro:

"Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga." (Mc 9, 47-48)

A pessoa que está muito satisfeita consigo e com a própria vida, ou que recebe estímulos constantes à vaidade, pode não enxergar muitas razões para procurar saber qual é a vontade do Criador sobre ela e o que ela deve fazer para amá-Lo e obedecê-Lo, assegurando a sua felicidade não apenas nesta transitória existência terrena, mas para sempre, na eternidade.

Será que damos valor às coisas que realmente importam e que
poderão nos valer de alguma coisa quando deixarmos este mundo?

Mas, se você é uma pessoa bonita e sempre ouve elogios, não precisa se desesperar com o que acabamos de dizer. 

Deus não irá te condenar por algo que Ele mesmo te deu, a menos que você faça da sua beleza um ídolo, um pretexto para o pecado e a imodéstia, e dê a ela o valor e importância que são devidos somente a Deus. 

Você pode se inspirar, por exemplo, em Santa Rosa de Lima, que era uma jovem belíssima e, contudo, fez-se santa! Para isso, porém, ela chegou a deplorar a sua beleza, lamentando que o seu lindíssimo rosto fizesse tantos homens cortejá-la. Ela deplorava que tantos quisessem tirá-la do caminho de santidade que Deus queria para ela!


No filme Rosa de Lima há mesmo uma cena em que ela puxa com força as carnes de sua face (como se quisesse arrancá-las) e, com voz de sofrimento, diz algo como "Eu não quero esta beleza que me afasta de Ti, Senhor!"... 

O corpo ela nunca mostrava, e o rosto, ela o teria preferido desfigurado! Ela sofria por ser bela e desejava não sê-lo para ter menos dificuldades no seu caminho para Deus! Que diferença da nossa mentalidade atual, não?... 

Talvez não nos seja necessário deplorar a tal ponto a própria beleza, mas importa sim, e muito (!), esforçar-se para não ofender a Deus com palavras, gestos, atos ou pensamentos de vaidade e/ou imodéstia. 

Busque na internet as páginas, canais e blogs que ensinam a prática da virtude da modéstia, tão negligenciada nos dias de hoje.

Encerro com uma fábula de La Fontaine, intitulada O Corvo e a Raposa, que ilustra bem como nós podemos facilmente perder bens de grande valor por causa da nossa tola vaidade, só percebendo a ilusão do nosso erro tarde demais:

O senhor corvo numa árvore empoleirado
Segurava no seu bico um queijo.
A senhora raposa, pelo odor atraída,
dirigiu-se-lhe mais ou menos com estas palavras:
"Olá! Bom dia, senhor corvo!
Como sois bonito! Como me pareceis belo!
Sem mentir, se o vosso gorjeio
for semelhante à vossa plumagem,
vós sois a fénix dos habitantes destes bosques!"
Com estas palavras, o corvo não coube em si de contente.
E, para mostrar a sua bela voz,
abriu o grande bico e deixou cair a sua presa.
A raposa logo dela apoderou-se e disse: "Meu bom senhor,
aprendei que todo o adulador
vive às custas daquele que o escuta:
esta lição vale bem um queijo, sem dúvida."
O corvo, envergonhado e confuso,
jurou, mas um pouco tarde, que não mais seria engambelado.

Não importa se você é um rei, uma rainha ou um cardeal: neste mundo você estará sempre dançando com a morte. Lembra-te que és pó e ao pó voltarás. Memento Mori

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Expondo (mais uma vez) a hipocrisia e o partidarismo da CNBB!


Há quatro anos atrás este blog publicou um texto revelador, cujo título era: "O que é a CNBB? Um aparelho da esquerda totalitária parasitando a Igreja de Cristo?..." Disponível aqui: http://pensararealidade.blogspot.com.br/2014/01/o-que-e-cnbb-um-aparelho-da-esquerda.html 

Nele, procurávamos expor uma realidade deplorável a respeito da hierarquia católica no Brasil: a de que grande parte desta atuava como cúmplice de facções e partidos socialistas (sobretudo o PT) no jogo político nacional, usando e abusando da boa fé e dos recursos dos fiéis católicos para favorecer segmentos comunistas brasileiros, apesar de o comunismo ser, POR NATUREZA, materialista, totalitário, corruPTor, assassino e anticristão!!!

Ou não é um absurdo execrável que bispos católicos estejam apoiando e financiando, COM O DINHEIRO DO POVO, a ideologia política que mais PERSEGUIU, TORTUROU E EXTERMINOU CRISTÃOS na história!???

No entanto, apesar das informações oferecidas por este blog e por outros diversos canais, SÓ AGORA um número maior de brasileiros está tomando conhecimento da estreita ligação entre a CNBB e o maldito comunismo. Que bom! Antes tarde do que nunca!

E essa conscientização de um número maior de brasileiros está acontecendo graças ao leigo Bernardo Pires Küster, de Londrina/PR, que tem produzido vídeos bem fundamentados sobre o conluio do clero progressista com os corruPTos socialistas. O nosso povo, infelizmente, não gosta de ler. Mas que bom que, pelo menos, gosta de assistir vídeos polêmicos. Do contrário, jamais ficariam sabendo do que está acontecendo com a Igreja no Brasil.

Oremos para que Nosso Senhor Jesus Cristo, pela intercessão de Maria Mãe da Igreja, de São Miguel e de São José, de São Pedro e São Paulo apóstolos, purifique a Sua Igreja de todas essas influências corrompidas e de todas essas ideologias perversas! Rezemos com fervor pela regeneração do clero e pela restauração da pregação e da catequese autenticamente católicas!

Veja o último vídeo de Küster sobre o assunto, publicado hoje: https://www.youtube.com/watch?v=fsPy6erjHE8


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A pós-modernidade no interior

Sabe aquela imagem de cidade interiorana tranquila, ordeira, relativamente próspera, religiosa, com limpas e belas pracinhas e uma vida social pulsante, com várias sociedades e associações culturais, porém decorosa e sadia?... Foi destruída. O que se vê hoje em um número cada vez maior de cidades do interior é algo bem diferente:
Bailes funk, "micareta" e "cervejada",
coma alcoólico após o "open bar",
promiscuidade,
narcotização em alta,
sexualização extrema,
desprezo pela própria dignidade,
estímulo ao estupro em "música",
muito barulho e nenhum conteúdo,
altos índices de violência,
vulgaridade até em festa de criança,
desprezo pela lei de Deus,
desonestidade alastrada em diversas instituições,
até clérigos corrompidos,
fragmentação das famílias,
irreverência em qualquer ambiente,
pais sem autoridade,
filhos sem respeito,
a ignorância virou virtude,
a incultura virou valor,
o "gemidão" e o "negão", se outrora não seriam mais que vulgaridade ridícula, agora são "engraçados",
o crime bem sucedido virou sinal de "esperteza",
dizer a verdade virou "discurso de ódio",
aplaudir indecência virou mérito,
levar vantagem em tudo é quase regra geral,
altruísmo e religião são "coisa de otários",
o heroísmo ficou no passado,
a santidade é vista como "loucura",
ser sensato é "anacrônico",
moralidade virou coisa "retrógrada",
sem-vergonhice alguma pode ser questionada só porque estamos "em pleno século XXI...",
se não for contra a ideologia dominante, toda safadeza é válida,
o "politicamente correto" dita como devemos pensar e falar,
a "filósofa" justifica o assalto,
o "intelectual" elogia Lúcifer,
cumprir estritamente a justiça agora é "golpe",
fazer uma pergunta incômoda (embora pertinente) é ser "fascista",
o bem, se contraria a mentalidade hegemônica, escandaliza mais que o mal,
adultério e poligamia não escandalizam mais,
o ensino hoje tem que ser "laico", mas não apartidário,
"pudor" virou palavrão,
chamar de "senhora" virou ofensa,
aparência é prioridade,
o corpo virou ídolo,
dinheiro virou deus,
amigas tratam-se por "quenga" ou "puta",
amigos chamam-se de "veado" ou "corno",
blasfêmia virou "humor",
sacrilégio, pornografia e pedofilia viraram "arte",
a Arte acabou,
a educação findou,
a tradição morreu.

O que sobrou?... Será que evoluímos ou involuímos?...

terça-feira, 6 de junho de 2017

Mary Del Priore e o embuste ideológico travestido de "historiografia"

Del Priore: historiadora ou fofoqueira caluniadora?...
Caro leitor, antes de lhe apresentarmos as sandices delprioreanas que aqui iremos contestar, avisamos que no final deste artigo há uma lista de sugestões bibliográficas com obras que desmentem as imposturas e lorotas que a dona Del Priore apresenta como "verdades históricas". E concluiremos este artigo apontando as possíveis razões pelas quais ela difunde tantas farsas mascaradas como "história"

Tomemos ciência dos disparates que se encontram em seus livros tendo em conta que a sra. Del Priore é o tipo de escritora que: 

1) Gosta de escrever sobre casos sexuais alheios e "segredos de alcova", o que não é exatamente um indicativo de seriedade historiográfica. Uma obsessão por escândalos eróticos não combina muito bem com o rigor da pesquisa acadêmica, não é?

2) Já lançou numerosos livros, sempre controversos e polêmicos ou "picantes" e quase um logo após o outro, com pouco tempo de pesquisa e maturação entre eles, o que pode indicar uma deplorável superficialidade (um desprezo pela pesquisa aprofundada), além de uma sanha muito grande de vender muitos livros sem ligar muito para a veracidade dos seus conteúdos.

Para Del Priore, aquele que muitos intitularam "imperador filósofo" era só um "caipira"


Seja sincero: o que dizer de uma suposta "historiadora" que diz que o imperador Dom Pedro II do Brasil era apenas um "caipira" com pouquíssima cultura, quando há vários pesquisadores e autores sérios que afirmam que o 2º imperador do Brasil era um poliglota, conhecedor de idiomas modernos e antigos, um homem que inspirava dignidade, educação e nobreza pela sua simples presença?

Seria "caipira" uma designação honesta para um príncipe que teve uma rígida e sólida formação escolar em sua juventude e que, na vida adulta, mostrou-se sempre interessado pelas ciências, pela filosofia e pelas artes, além de ter financiado os estudos de jovens artistas brasileiros, ter sido amigo de vários cientistas de renome internacional e até frequentador de exposições científicas?


Segundo a bajulada e midiática "historiadora", a Princesa Isabel era mesquinha e desprezava os negros

O quanto você conhece sobre a princesa redentora? Você já não leu, em alguma fonte confiável, que a Princesa Dona Isabel, antes de ter condições políticas favoráveis para decretar a abolição da escravatura, chegou a pagar pela alforria de escravos com seus próprios recursos?... 

Já não viu em diversos textos que ela era amiga de célebres abolicionistas, entre eles profissionais negros como André Rebouças, e tinha contato até com abolicionistas republicanos como José do Patrocínio?... 

Soube que ela se engajava pessoalmente em campanhas para angariar recursos em auxílio aos desvalidos, por exemplo, do sertão nordestino?... 

Teve conhecimento de que ela, mesmo sabendo que assinar a Lei Áurea equivalia a perder o trono (pois tal lei iria despertar a fúria dos fazendeiros escravocratas e favorecer os republicanos), preferiu assiná-la e libertar os escravos a assegurar para si o terceiro reinado?... 

Ouviu sobre as numerosas virtudes cristãs e patrióticas da Princesa, sobre o amor dela pelo Brasil, sobre o plano que ela e seu pai tinham para indenizar os ex-escravos e assentá-los em terras próprias?...

Leu sobre os movimentos populares compostos principalmente por pobres e negros recém-libertos que combatiam os rebelados republicanos e defendiam o reinado vindouro de Isabel?

Soube que o processo de beatificação dela já está em curso na Arquidiocese do Rio de Janeiro e que as pesquisas envolvendo tais processos são feitas com inegável rigor pelos peritos da Igreja?

Ouviu sobre o desejo que ela tinha de estender o direito de voto às mulheres?...

Pois bem, se você acredita na velha Del Priore, esqueça essa Princesa Isabel cristã, popular e ousadamente bondosa a respeito da qual você leu em outras fontes. Del Priore afirma que ela tratava mal os negros (omitindo que ela foi amiga e até parceira de baile de André Rebouças, só pra citar um exemplo), que ela não queria realmente abolir os escravos e que só o fez porque sofria pressão externa (essa é velha) e que os chamava de "pretos"...

Ora, os próprios negros se chamavam assim! Naquela época, "preto" não era termo pejorativo! Tanto é assim que as irmandades católicas que eles criavam eram nomeadas como, por exemplo, "Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos", que existe até hoje, aliás.

Nesta fotografia da Missa de Ação de Graças pela Lei Áurea, vemos ninguém menos
que o grande escritor Machado de Assis, que era negro, bem próximo da princesa e de seu marido

Quem conhece textos sérios sobre o papel da Princesa na abolição e sobre o seu verdadeiro comportamento e pensamento, só tem uma palavra para classificar o parecer da velha Del Priore sobre ela: EMBUSTE!

Del Priore também diz que os conservadores do império (havia um Partido Conservador e um Partido Liberal) se articulavam contra a abolição. Nada mais falso! Embora certos parlamentares conservadores, de fato, possam ter se posicionado ocasionalmente contra leis que favoreciam os escravos, foi justamente graças a conservadores como o Visconde do Rio Branco e o Ministro João Alfredo Correia de Oliveira que várias dessas leis abolicionistas foram possíveis!

Eles contribuíram fundamentalmente na aprovação da Lei Eusébio de Queiroz (outro parlamentar conservador), que deu fim ao tráfico negreiro, na Lei do Ventre Livre, na Lei dos Sexagenários e na Lei Áurea! Todas as leis aprovadas pelo parlamento imperial que foram abolindo progressivamente a escravidão até a abolição total com a Lei Áurea foram articuladas por gabinetes do Partido Conservador! Este fato qualquer leigo com acesso à internet pode constatar facilmente. Mas Del Priore, "grande historiadora" idolatrada pela mídia, ignora esta dado histórico.

Ademais, se a abolição plena não veio antes de 1888, não se pode dizer que foi simplesmente por má vontade dos soberanos do Brasil ou dos parlamentares. Lembre-se que, nos projetos de José Bonifácio, considerado o articulador da nossa Independência e o fundador do Estado Brasileiro, os negros deveriam ser, o quanto antes, tratados como irmãos e compatriotas, com toda a humanidade que a caridade cristã exige, mas a abolição, no parecer dele, deveria ser gradual, paulatina, progressiva, por uma questão de prudência e segurança. 

Um decreto de abolição que viesse logo após a Independência poderia ter encharcado o Brasil no sangue de uma guerra civil como a que aconteceu nos EUA entre sulistas escravistas e yankees abolicionistas  A chamada Guerra de Secessão ocorreu nos Estados Unidos entre 1861 e 1865. Aliás, um detalhe interessante desse conflito é que os republicanos (conservadores nos EUA) eram majoritariamente abolicionistas, enquanto os democratas, que hoje posam de defensores dos negros e  das minorias, eram majoritariamente escravistas

A mão de obra escrava vinha sendo usada há muito tempo no Brasil, desde o século XVI, quando ainda éramos colônia portuguesa; era uma prática tão profundamente arraigada que até vários negros libertos tinham outros negros como escravos a seu serviço e a economia nacional inteira dependia dos escravos.

Muita gente, mesmo dentre os pobres, achava a escravatura normal, como na Roma antiga. E nem todos os senhores tratavam mal os seus escravos, não sendo raro que houvesse escravos brasileiros que recebiam heranças, ou que tinham um tratamento melhor do que o recebido pelos operários "livres" e assalariados das indústrias inglesas. Evidentemente, tratar bem não justifica o "direito" de posse sobre outro ser humano. Mas é preciso analisar os fatos históricos em seu contexto, não segundo os padrões atuais.

Abolir a escravatura abruptamente causaria o ódio incontrolável dos senhores de escravos que poderiam começar uma guerra civil contra as forças do governo imperial e contra os recém-libertos. O banho de sangue poderia ser imenso!

Sem falar que o governo imperial sequer tinha recursos para garantir o cumprimento de um decreto de abolição pré-maturo (até hoje o governo tem dificuldades para tentar coibir a escravidão em todo o território nacional, que dirá naquele tempo!). Porém, a "célebre historiadora" parece ignorar todas essas realidades.


Del Piore acusa Dom Pedro II de adultério sem apresentar qualquer comprovação

Eis a "amante" que Del Priore diz que Dom Pedro II tinha
Como avaliar uma suposta "historiadora" que, baseando-se em pasquins republicanos (sic), que eram máquinas incessantes de produção de calúnias contra a família imperial (uma vez que gozavam da política tolerante de Pedro II em relação à liberdade de imprensa), bem como em panfletos difamatórios anônimos e em cartas afetuosas que Pedro II trocava com a condessa de Barral (preceptora das princesas e amiga muito próxima da família imperial), logo conclui, julga e afirma categoricamente que havia um caso amoroso entre os dois?

Seria confiável uma historiadora que faz uma constatação dessas usando, como se fosse prova cabal do suposto adultério, as expressões de carinho contidas nas cartas (comuns na época) e as vagas menções a "encontros" que há nelas? Quem nunca teve um encontro não-amoroso com uma amiga para falar sobre algo importante ou simplesmente para bater papo?

Ora, quando o gabinete do Visconde do Rio Branco caiu, após a crise da "Questão Epíscopo-maçônica" (chamada também de "Questão Religiosa"), Dom Pedro II teria abraçado com força o Duque de Caxias (segundo o que este mesmo escreveu) e dito a ele que não o soltaria até que ele aceitasse assumir o gabinete!... Será que, por este episódio, poderíamos supor que o imperador tivesse também um caso homossexual com o velho duque???... Talvez Del Priore desconfie disso também...

A bem da verdade, não se pode negar com absoluta certeza que possa ter havido algo mais que uma simples amizade entre Pedro II e Barral, mas também não se pode honestamente assegurar que havia! É uma das muitas incógnitas da história para as quais nós temos que aceitar que não há respostas exatas. E esse "algo mais", que pode sim ter existido entre os dois, pode não ter sido nada além de um encantamento mútuo ou uma paixonite que jamais se consumou carnalmente.

A própria Del Priore afirma que as cartas deixam transparecer mais um afeto "entre almas" do que uma volúpia de desejo carnal. Seja como for, se existiu realmente um caso de adultério, não parece haver muitas evidências que permitam afirmar isso como se fosse um fato provado, o que desqualifica Del Priore como historiadora.

Ora, a Princesa Isabel, chamada por seus críticos de "católica fanática e ultramontana", foi amiga da condessa durante toda a sua vida!... Será que essa amizade teria se mantido se houvesse razões para ela ou sua piedosa mãe (a imperatriz Dona Teresa Cristina) desconfiarem de um suposto adultério entre a condessa e o imperador???...

Aliás, a própria Barral era considerada uma boa católica! Se não o fosse, a imperatriz jamais a teria deixado ser preceptora de suas filhas! 

Se, não obstante a falta de evidências, existiu algo de adultério entre o imperador e a condessa, isso é algo entre eles e Juiz Supremo das almas, não é matéria para uma obra historiográfica que se pretenda séria e objetiva! 

Del Priore me faz lembrar do velho Dan Brown inventando um caso imaginário entre Jesus e Madalena com cavaleiros templários protegendo os descendentes deles e o Opus Dei tentando abafar o caso... Mas o Dan Brown, pelo menos, admite que escreve livros de ficção!...

Quanto crédito merece um(a) historiador(a) que, embora incensado(a) pela mídia, não perde uma só oportunidade de proferir juízos temerários sobre a moralidade pessoal de personalidades históricas e forjar visões questionáveis sobre eles?... Visões estas, aliás, contestadas por pesquisadores que se atém mais aos fatos e dão menos vazão às suas impressões e preconceitos pessoais.


As razões dos embustes

Del Priore talvez esteja mais interessada em influenciar
o presente (e o futuro) do que em retratar fielmente o passado
Bem, além do conhecido fato de que "polêmica vende bem" (e sexo também, como a dona Del Priore bem sabe), há um outro fato que poderia explicar por que uma historiadora de renome se presta a publicar livros com visões tão parciais e mal fundamentadas: a desconstrução ideológica do passado por razões político-culturais.

Mary Del Priore é uma típica professora de história formada pela geração de acadêmicos marxistas que até hoje se esforçam para reprimir qualquer sentimento patriótico brasileiro que tenha por referência os grandes homens e mulheres do nosso passado pré-republicano. 

Sim, há da parte deles um esforço sistemático para ridicularizar e desacreditar os grandes vultos do nosso passado. Um povo sem heróis, sem grandes referenciais de conduta, é um povo mais fácil de ser influenciado e usado como massa de manobra pelo partido.

Trata-se de uma geração de "historiadores" formados não para produzir conhecimento histórico genuíno, apresentando os fatos com o devido distanciamento e objetividade, mas sim para gerar nas massas uma "consciência de classe" (na acepção do filósofo marxista Georg Lukács), fazendo-as rejeitar tudo o que remete às tradições cristãs e aos valores nacionais mais caros ao povo. 

O que pseudo "historiadores" como Del Priore fazem é desconstruir a história, emporcalhar a imagem dos nossos ancestrais para que o povo sinta vergonha de seu passado e coloque toda a esperança no futuro "libertário e igualitário" prometido pelo partido! A receita é antiga: os iluministas  franceses fizeram a mesma coisa, a mesma difamação histórica em relação à Idade Média para fomentar no povo um profundo ódio às instituições tradicionais e, assim, incitá-los a aderirem à revolução!

O sentimento patriótico, assim como sentimento religioso, é concorrente da "consciência de classe", é adversário do sentimento vitimista do militante que se sente "historicamente oprimido e explorado". O patriotismo é oposto àquele "sentimento revolucionário" capaz de cegar um homem a ponto de fazê-lo aderir irrestritamente à agenda alienante da esquerda e votar cinco vezes seguidas no Lula, na Dilma, no Jean Wyllys ou na Ciro Gomes e ainda defendê-los de todas e quaisquer críticas! 

A valorização dos grandes heróis do passado (e a Princesa Isabel certamente foi um deles!) é um obstáculo ao projeto revolucionário marxista, principalmente quando estes heróis tiveram valores cristãos tradicionais que contrastam fortemente com o projeto da esquerda.

Destarte, pode ser que a dona Del Priore escreva tanta falácia movida por pura ambição, para "polemizar" e vender mais livros, mas também é possível que ela o faça por razões político-ideológicas. Mas creio eu que o mais provável que ela o faça pelos dois motivos!


Sugestões bibliográficas

Os livros listados abaixo não são todos excelentes, não são todos verossímeis da primeira à última página. No entanto, todos eles contêm informações que divergem abissalmente dos embustes que a sra. Del Priore diz e escreve. Boa leitura!


A Vida de Dom Pedro II, o rei filósofo - Pedro Calmon

Imperador Cidadão - Roderick J. Barman

Dom Pedro II - José Murilo de Carvalho

Dom Pedro II e seu reino tropical - Lília Schwarz

Princesa Isabel do Brasil - Roderick J. Barman

O Terceiro Reinado: a imperatriz que não foi - Maria Luiza de C. Mesquita (dissertação de mestrado)

A História da Princesa Isabel - Regina Echeveria

Princesa Isabel, a redentora - Ivete Gualberto

Isabel, uma princesa de carne e osso (Revista de História da Biblioteca Nacional)

José Bonifácio - Miriam Dolhnikoff (bônus)