domingo, 3 de janeiro de 2016

Quais são os tipos de ateus que existem e as diferenças entre eles

Basicamente existem três tipos de ateus. Vejamos suas características básicas.

Ateus "de boa":

Estes simplesmente não creem ou duvidam da existência de Deus.
Não odeiam Aquele em cuja existência não creem nem odeiam os crentes e tampouco pretendem “desevangelizar” quem quer que seja. Eles apenas não tem fé. Não se interessam pelas grandes questões existenciais, não se importam com as realidades além-mundo, mas tampouco pentelham os que creem em algo transcendente. Importam-se só com o que podem ter aqui e agora. Às vezes, até frequentam templos por mera convenção social, convivem tranquilamente com os fiéis e respeitam até os religiosos mais devotos! Não se identificam com o tipo ateísta chato, paranoico, pela-saco e obcecado em vilipendiar a fé alheia.
Lésbica ateia, porém antigayzista, antifeminista e antiateísta: uma livre-pensadora que é uma pedra no sapato da esquerda
Não idolatram o Dawkins nem o DeGrasse Tyson, pois sabem que eles são apenas seres humanos falhos e limitados como quaisquer outros e sinceramente se perguntam por que eles nunca aceitaram um debate público com o Lane Craig. Acima de tudo, ateus “de boa” não passam o dia todo criando memes com alegações risíveis de que a Bíblia é um livro que ensina crueldades e a Igreja perseguia canhotos, mulheres magras, caolhos, pernetas, gagos e orelhudos na Idade Média.


Ateus céticos:

Verdadeiramente céticos são os ateus que não tem medo de pôr em dúvida até os próprios postulados ateístas e também não tem medo de se questionar honestamente sobre o que seria do mundo ocidental sem a herança cultural judaico-cristã que o engendrou.
Estes são usualmente os ateus mais criteriosos, honestos e intelectualmente livres. Não se agarram a posturas dogmáticas materialistas, não forjam provas falsas (como o homem de Piltdown) para escorar os seus argumentos e aceitam debater honestamente com os teístas. Alguns destes céticos de boa estirpe transitam sem medo entre o ateísmo, o agnosticismo e o teísmo, conforme suas conclusões filosóficas e científicas mais recentes os movem. Neste seleto grupo poderíamos, talvez, incluir nomes como Albert Einstein, Carl Sagan, Rodrigo Constantino e Luiz Felipe Pondé.

Matéria do Portal Terra de Fevereiro de 2015
Einstein, embora não acreditasse no Deus pessoal e relacional da Bíblia, admitia a existência de uma Força primordial responsável pela criação e ordenação do universo e provavelmente inerente ao próprio cosmos. Essa postura intelectual de Einstein provavelmente era resultante de uma combinação de ceticismo com uma grande admiração pela fina concatenação de leis que permite a existência do cosmos.

Sagan, por sua vez, mesmo sendo bem menos receptivo à “possibilidade Deus” do que Einstein, ao menos tinha a honestidade de declarar-se “agnóstico” por crer na impossibilidade de se provar materialmente ou refutar a existência de um Criador.

Constantino, ex-ateísta militante, hoje se posiciona como um agnóstico, admite que não se pode afirmar cientificamente a suposta inexistência de Deus defendida pelos ateístas, reconhece a inegável contribuição do cristianismo para os valores e instituições do Ocidente, condena os regimes totalitários ateus e afirma que o Estado deve ser laico, porém não antirreligioso.

Já Pondé, mesmo não crendo em Deus como um Ser Pessoal real, já expressou seu fascínio pelo conceito do Deus judaico-cristão e reconhece, sem “neuras”, a importância do patrimônio civilizacional de valores e instituições que a cultura judaico-cristã legou ao Ocidente. Além disso, Pondé admite que o ateísmo de muitos frequentemente está ligado não a conclusões filosófico-científicas, mas a emoções negativas e/ou frustrações pessoais, como declarou em um artigo escrito para a Folha de São Paulo:

“Poucos ateus não são descendentes de uma criança infeliz e revoltada...”



Ateus militantes (ou "ateístas"):

São aqueles seres que dedicam horas e mais horas de suas vidas a inventar factoides e memes para xingar Deus (sim, eles parecem ter uma necessidade louca e incontida de xingar um Ser que eles juram que não existe!) e emporcalhar a imagem da Igreja e das crenças cristãs.
E pensar que Deus já teve inimigos do porte de Nabucodonosor, Nero, Diocleciano, Stálin, Hitler...
São paranoicos, pois, como Richard Dawkins, um de seus principais gurus, parecem preocupadíssimos em tirar a fé alheia por acreditar que uma simples procissão católica que “parece inofensiva” frequentemente “leva a coisas horríveis como explosões de bombas em metrôs..." (infelizmente, o vídeo em que Dawkins faz essa declaração hilária foi deletado do youtube).

Quando pensam nos cristãos, os ateístas parecem incapazes de visualizar freiras como a irmã Dulce dando de comer a crianças famintas ou servindo os doentes. Jamais pensam num padre resgatando um jovem das drogas ou consolando um pai de família angustiado, numa catequista ensinando crianças a serem boas umas com as outras, num professor medieval ensinando Música, Direito, Medicina ou a Física de Aristóteles, num monge trabalhando, orando e estudando na quietude do seu monastério, ou naqueles frades medievais que, em meios a batalhas sangrentas e surtos de peste, arriscavam-se indo até os corpos agonizantes para tentar socorrê-los ou oferecer-lhes os últimos sacramentos. Nada disso! O ódio os cega, impedindo que vejam o trabalho caridoso e abnegado de tantos cristãos em hospitais, asilos, creches, escolas, postos missionários e serviços paroquiais!
Selo da Univ. de Oxford, fundada no séc. XI. No centro, o lema "O Senhor é a minha luz", em latim.
Eles mesmos usufruem de muitíssimas invenções e instituições que devem aos seguidores do Nazareno: da música erudita à ciência moderna, passando por uma infinidade de obras de arte, valores humanos, instituições educacionais e de beneficência! Mas são estultos e ingratos demais para reconhecê-lo, preferindo caluniar quem faz o bem, direta ou indiretamente, a eles próprios!
Ilustração-resposta de um facebooker farto das empulhações ateístas
Penso que vale à pena elencar concretamente alguns benefícios prestados pelos crentes a incontáveis seres humanos que os ateístas fazem questão de ignorar:

Numerosos hospitais, enfermarias, orfanatos, asilos, creches, escolas, albergues, missões humanitárias em países subdesenvolvidos, as primeiras universidades do mundo ocidental (Bologna, Oxford, Cambridge, Siena, Paris, Salamanca, Fordham, Coimbra, todas as PUC’s, Padua, Leipzig, Praga, etc.), o método científico experimental (fr. Roger Bacon), a Química moderna (Lavoisier, Boyle e pe. Gassendi), a Genética (pe. Gregor Mendel), a Física óptica e os óculos (Grosseteste e Bacon), o telescópio, o relógio (Wallingford), o patrimônio cultural da antiguidade (monges copistas), a Física Moderna (Newton), o direito internacional moderno e a diplomacia (escolásticos de Salamanca), as grandes navegações ultramarinas, a teoria cosmológica do Big Bang (pe. Lamaître), o mapeamento do DNA humano (Francis Collins), a arquitetura românica, gótica e barroca, o nosso calendário (papa Gregório XIII), os avanços na astronomia (cardeal Nicolau de Cusa, pe. Copérnico, Kepler, pe. Searle, etc.), a relativa pacificação da Europa bárbara após a queda de Roma, a contenção do avanço do expansionismo islâmico sobre a Europa, a introdução de conceitos e mecanismos de justiça na Europa bárbara e nas Américas (o direito de um acusado a se defender em justo julgamento, por ex.), a Física Quântica (Heisenberg e Planck), o reconhecimento da dignidade da mulher, a música polifônica, as notas musicais (d’Arezzo), a vulcanologia, a microbiologia, e a egiptologia (A. Kircher), o desenvolvimento e a humanização do atendimento hospitalar (São Camilo de Lélis), a radiodifusão (Marconi, pe. Landell de Moura), o estabelecimento de relações amistosas com o Oriente (S. Francisco Xavier e Mateo Ricci), a Citologia (estudo das células – pe. Carnoy), a cromatologia (Malebranche), a descoberta da causa da Síndrome de Down (J. Lejeune), a cirurgia vascular complexa (A. Carrel), o método da pasteurização (L. Pasteur), descobertas sobre a eletricidade e o eletromagnetismo (Volta e Ampére), esforços pela abolição da escravidão (papa Paulo III, Princesa Isabel, fr. Bartolomé de Las Casas, papa Bento XIV, etc.), serviços de combate à desnutrição infantil (Pastoral da Criança), a maioria dos centros de recuperação de dependentes químicos do Brasil, anatomia humana e geologia (bispo Nicolaus Steno), os primeiros colégios do Brasil (jesuítas), o refreamento de práticas pagãs cruéis (canibalismo, oferecimento de sacrifícios humanos aos ídolos, infanticídio), a primeira universidade das Américas (Universidad Nacional Mayor San Marcos - Peru), a descoberta da osmose (pe. Nollet), avanços na matemática (Descartes, Pascal, Leibniz, etc.), a parapsicologia (papa Bento XIV), serviços de ajuda humanitária a pessoas vítimas de catástrofes naturais e outros males (Cáritas Internacional, Kirche in Not, SSVP, Liga das Senhoras Católicas, Cavaleiros de Colombo, Aliança de Misericórdia, Ordem de Malta, Misereor, etc.), enfim, a lista simplesmente não acaba!...


Muitas vezes, tais ateístas apontam o sofrimento e a morte de crianças e inocentes como suposta “prova” da inexistência de Deus. Se estudassem um pouquinho de cosmologia, astrofísica e teologia em vez de basear suas opiniões apenas em um emocionalismo pueril, saberiam que:
1) Se Deus não existisse, não haveria crianças, nem adultos inocentes, nem ser vivo algum, nem planeta Terra, nem cosmos (universo ordenado), nem lugar nenhum que lhes desse a oportunidade de existirem para fazer tais suposições toscas! Quem já estudou um mínimo de teologia sabe que os males existentes no mundo, por si só, não tornam a nossa realidade incompatível com a existência de um Criador onipotente e benevolente.

2) De acordo com a própria teologia judaico-cristã, foi por culpa da própria humanidade rebelde e pecadora que o sofrimento e a morte vieram ao mundo, não por culpa de Deus! A missão de cada ser humano nesta terra é passar meritoriamente pelos sofrimentos presentes, carregando a nossa cruz à semelhança do próprio Cristo, amando a Deus, ao próximo e mantendo a Fé e a esperança! Não é à toa que a Igreja chama o nosso mundo de Lacrimarum Valle (vale de lágrimas), e nos motiva a lutarmos nesta vida tendo em vista o Paradisus ou Regnum Coeli!

3) Se Deus interferisse o tempo todo pra livrar seres humanos do sofrimento e da morte, teria que interferir inclusive nas nossas ações e escolhas pessoais, pois são elas que muitas vezes trazem sofrimento e morte para nós mesmos e para os outros. Isso seria o fim do livre-arbítrio!

4) As pessoas que morrem enquanto criança, mesmo aquelas que tem uma morte dolorosa, são muito mais felizes do que os adultos que levam uma vida de confortos e prazeres e morrem em pecado, pois as crianças que morrem terão a felicidade eterna destinada aos inocentes, já os adultos que morrem em pecado grave terão pela frente apenas o excruciante sofrimento eterno destinado aos ímpios!


Por fim, a este terceiro e mais deprimente grupo de ateus, os militantes, só me resta deixar uma lista de sugestões bibliográficas, caso algum deles resolva deixar os rancores e as tolices ateístas de lado e amadurecer intelectualmente.


Para uma introdução à fragilidade de certos argumentos ateístas:

A Caixa Preta de Darwin – Michael Behe

Não tenho fé suficiente para ser ateu – N. Geisler & F. Turek

Deus, a Liberdade e o Mal – A. Plantinga

A Linguagem de Deus – Francis Collins

O Enigma Quântico – Wolfgang Smith

Ciência e Mito – W. Smith

A Ciência Descobre Deus – Ariel A. Roth

O Cérebro Espiritual – M. Beauregard & D. O’Leary

Apologética Contemporânea – W. Lane Craig

Evolução criativa – A. Goswami

Deus não está morto – A. Goswami

O Delírio de Dawkins – A. Mcgrath & J. Mcgrath

A Física do Cristianismo – Frank J. Tipler

Uma História Politicamente Incorreta da Bíblia – Robert J. Hutchinson

Deus em Questão - Armand M. Nicholi Jr.


Para uma introdução à história negligenciada do cristianismo:

Progresso e Religião – Christopher Dawson

A Vitória da Razão – Rodney Stark

Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental – Thomas E. Woods Jr.

Cristianismo e Paganismo – J. N. Hillgarth

A Ascensão das Universidades – Charles Haskins

A Inquisição em Seu Mundo – João Bernardino Gonzaga

A Formação da Cristandade – Christopher Dawson

Luz Sobre a Idade Média – Régine Pernoud

A Igreja Católica em Face da Escravidão – Jaime Balmes

A Igreja e a Escravidão no Brasil – José Geraldo Vidigal de Carvalho

Bula Veritas Ipsa – Papa Paulo III, 1537 (documento que proíbe a escravidão)

The Popes and Science (sem tradução no Brasil) – James Walsh

Sete Mentiras Sobre a Igreja Católica – Diane Moczar

O crescimento do cristianismo – Rodney Stark

God’s Battalions (s/ tradução no Brasil) – Rodney Stark

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil – Leandro Narloch

Guia Politicamente Incorreto da História da América Latina – Leandro Narloch

Leyendas Negras de La Iglesia (s/ tradução no Brasil) – Vittorio Messori

Historicamente Incorrecto (s/ tradução no Brasil) – Jean Sévillia

As Caravelas de Cristo - Gilbert Renault

A Idade Média contada aos meus sobrinhos – R. Pernoud

A Ascensão das Universidades – C. H. Haskins

Para Entender a Inquisição – Felipe Aquino

Dinâmicas da História do Mundo – C. Dawson

Minhas Cartas – José de Anchieta, sj

Idade Média, o que não nos ensinaram – R. Pernoud

O Outono da Idade Média – Johan Huizinga

Artigo sobre as Cruzadas escrito por um especialista em História Medieval e Renascentista: http://www.quadrante.com.br/artigos_detalhes.asp?id=101&cat=10

Artigo do mesmo historiador, sobre a Inquisição: http://www.ocampones.com/?p=9235

Documentário da BBC sobre o Mito da Inquisição Espanhola: https://www.youtube.com/watch?v=1v_KlCNpzYA

Série apresentada por Thomas E. Woods Jr., historiador e economista, sobre a edificação da nossa civilização pela Igreja: https://www.youtube.com/watch?v=t6bnO7N1AMU&list=PL6D7A861A36186188

Documentário da Reader’s Digest que conta o triunfo da fé cristã sobre o Império Romano pagão a partir da biografia de Sta. Helena: https://www.youtube.com/watch?v=H4yuzAOSWzg

Explicação do Prof. Anthony Esolen, da universidade Providence College, sobre a Idade Média: https://www.youtube.com/watch?v=U21hxgez2LM

Prof. Felipe Aquino, que foi diretor da FAENQUIL-USP, explica o medievo:  https://www.youtube.com/watch?v=7LetACae_rk



Filósofo ateu detona ideologias e teologias em moda

Em recente entrevista à revista Gente, o filósofo Luiz Felipe Pondé deu respostas bastante incomuns para um professor de Filosofia e intelectual ateu. Confira abaixo alguns trechos.


Sobre o doutrina de "sucesso e prosperidade" pregada por algumas igrejas "evangélicas":

"A Teologia da Prosperidade trabalha ideia de que eleição significa ganhar bens materiais: se você está perto de Deus, você vai ficar rico e vai dar tudo certo na sua vida. [...] Veja como Jesus sofreu! Ele foi rejeitado, perseguido e crucificado! E segundo a tradição bíblica Jesus é ninguém menos do que o filho de Deus."

O sentido profundo do mandamento divino que prescreve "honrar pai e mãe":

"Esse mandamento é tributo à ancestralidade. É uma reverência ao fato de que a vida se perde sem certos códigos e hábitos ancestrais. A sabedoria dos que vieram antes de nós nos orienta e nos ajuda até hoje. Aliás, ela diz quem você é. Quando você honra os ancestrais, está reconhecendo que eles deixaram sabedoria. A Bíblia hebraica começa com Provérbios, que é um livro sobre ancestrais. É claro que honrar pai e mãe tem a ver com honrar o passado. Nós modernos temos um problema com isso porque cremos em nós mesmos como criadores do melhor mundo que já existiu. É falso. Os nossos ancestrais foram sábios, nos deixaram uma rica herança moral e cultural e não destruíram o mundo. Talvez a gente destrua."

A respeito de como a atual geração deverá ser retrata no futuro, Pondé alfinetou:

"Daqui a 200 anos nossa época vai merecer meio parágrafo nos livros de História: eles eram ressentidos, mimados, só queriam direitos e não gostavam de trabalhar. Os intelectuais eram preocupados com os direitos dos animais, mas não viam problema com o aborto de bebês."

Teologia da Libertação e modismos teológicos:

Bom, a Teologia da Libertação virou ‘PT’ ou algo do tipo ‘vamos buscar o útero de Deus’. Tem a vertente agarrada às raízes das comunidades eclesiais de base e essa coisa de tentar repensar Deus a partir de alguma modinha. O cristianismo tem uma forte raiz profética. Os profetas denunciavam os podres dos poderosos, mas nunca deixavam de denunciar também os pecados do povo. Não achavam que povo carrega salvação só porque era pobre. A Teologia da Libertação faz uma leitura seletiva do profetismo hebraico para encaixá-lo no marxismo. Ela diz que o pobre é puro e bom e o rico é malvado. É a mesma leitura seletiva da Teologia da Prosperidade. A diferença é que a Teologia da Prosperidade é a versão liberal que reduz tudo ao seguinte: o eleito é bom e vai ficar rico. Ambas são medíocres. As teologias políticas tendem a perder a função religiosa. E a inteligência religiosa se perde no meio.

[...] Ninguém precisa de ateus para duvidar de Deus com os teólogos que existem ‘no mercado’ hoje em dia. A teologia está atrás das modas, quer provar aos foucaultianos e aos marxistas que ela é legal. Já coube a mim, um ateu darwinista, defender a ortodoxia bíblica em um debate com dois teólogos, um discípulo de Karl Marx e o outro seguidor de Michel Foucault. Eu fui apresentado no debate como ateu. Mas quando os dois terminaram de falar, eu disse: ‘bom, agora os colegas me permitam fazer uma defesa da Bíblia’. A teologia virou uma envergonhada. Ela não quer virar fundamentalista, o que é importante, mas daí vai para outro extremo oposto que é tentar provar que Marx e Foucault, na verdade, eram cristãos.

Sobre se o cristianismo tem culpa pela nossa culpa:

"A ideia de que o cristianismo inventou a culpa. É uma grande bobagem! A psicologia evolucionista, de natureza darwinista, explica que culpa é um dos centros da vida moral do ser humano. Quem não sente culpa é um monstro. A experiência de sentir responsável, a vergonha de saber que fez algo que não deveria ter feito, é algo universal. Qualquer um que conviva com jovens pode verificar isso empiricamente. Uma pessoa que não sente culpa não é gente. Por isso critico o besteirol contemporâneo de que você nunca deve sentir culpa. Ora, a culpa é um fato da vida, é um produto da nossa consciência! Os críticos da religião dizem que a igreja nos obriga a sentir culpa. É claro que existem estruturas sociais e familiares que podem causar culpas morais. Mas essa experiência transcende a religião. Basta conferir a boa literatura. Eu sempre digo para quem, na esperança de fazer uma critica séria a religião, repete essa bobagem: vá ler Nelson Rodrigues, pelo amor de Deus! Vá ler Dostoievski!"

Sobre a inclusão da Ideologia de Gênero na educação infantil:

"Bom primeiro, devo dizer que acredito que nas suas vidas privadas as pessoas podem viver do que jeito que elas quiserem. O que eu normalmente critico é a excessiva ingerência de “especialistas” nas escolas que, na verdade, são ideólogos se metendo na educação das crianças. Ora, escola tem que ser o lugar onde você vai ensinar matemática, geografia, ciências. A educação moral tem que ser dada pelos pais, pelas famílias. Quem disse que eu devo confiar nas ideias que uma coordenadora ou uma professora têm na cabeça? Muitos deles nem são pais. E só estão interessados em ideologias. A Ideologia de Gênero não respeita o fato de que são os pais os responsáveis pela educação moral dos filhos."

domingo, 13 de dezembro de 2015

"Zueira" demais, reflexão de menos: a nova direita precisa amadurecer

Gostaríamos muito de poder dizer, parafraseando Nosso Senhor, que “não só de ‘zueira’, frases de efeito e polêmicas vive a nova direita brasileira, mas de todo estudo, observação e reflexão criteriosa que sai da pena dos filósofos, da realidade perscrutável e da razão humana!”

Mas, infelizmente, considerando seriamente a nossa realidade atual, essa afirmação não seria totalmente honesta. Está meio que “na moda” afirmar posições de direita (em grande parte, devido às misérias da esquerda que nos desgoverna). E tudo o que está “na moda”, ainda que tenha razão de ser, frequentemente acaba resvalando para a superficialidade e cedendo à frivolidade reinante.

Não que a “zueira” e as frases de efeito não tenham o seu valor na guerra cultural. Elas dão uma contribuição significativa para provocar e chamar a atenção dos espíritos mais preguiçosos e superficiais. Contudo, por si só, elas não mudam nem consolidam nada! Parafraseando agora o grande Chesterton, “uma direita que não tem nada além da sua ‘zueira’, não ‘zuará’ por muito tempo!...”

Assim sendo, aqui vai uma dica valiosa para os nossos leitores neodireitistas, sobretudo os mais jovens:
Proponha-se o desafio de manter um salutar equilíbrio entre a “zueira”, a denúncia da esquerda e os deveres solitários e indispensáveis do estudo, da oração (pois, sem o auxílio de Deus, nada podemos fazer efetivamente contra o mal) e da meditação!... 

Buscar esse equilíbrio significa ganhar em integridade espiritual, em profundidade de pensamento, em sabedoria!...

Por experiência própria, garanto que cultivar a vida interior lhe fará muito bem e agregará conteúdo, criatividade e qualidade argumentativa às suas intervenções na luta cultural contra a esquerda!

Descubra o prazer das leituras substanciosas! Atualmente estou lendo um livro excelente do psiquiatra Anthony Daniels (T. Dalrymple) intitulado "Nossa cultura... ou o que restou dela - 26 ensaios sobre a degradação dos valores." e também relendo o clássico “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz”, de C. S. Lewis. Recomendo também os livros de Russel Kirk, Thomas Sowell, Roger Scruton, Olavo de Carvalho, Peter Kreeft, G. K. Chesterton, os filósofos clássicos, os bons historiadores, como Christopher Dawson, e os sociólogos honestos, como Rodney Stark.

A oração, a meditação e a leitura farão muito mais pela sua inteligência, pela sua espiritualidade e inclusive pelas suas campanhas contra a esquerda do que muitas horas de “zueira”, controvérsias e xingatórios anti-esquerdistas!...


Não permita que a superficialidade dos modismos e a frivolidade imperante absorvam as suas melhores energias e te tornem tão pobre espiritualmente quanto uma ativista histriônica da "Marcha das Vadias"!...

domingo, 18 de outubro de 2015

Mauro Iasi não representa a esquerda brasileira?...

Nos últimos dias, as redes sociais serviram como canal de protestos de pessoas estarrecidas com um vídeo no qual um político brasileiro aparece fazendo apologia ao fuzilamento de opositores! 

Mauro Iasi, professor universitário que foi candidato à presidência da república pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), valeu-se de um poema de Bertold Brecht para defender o fuzilamento de pessoas conservadoras de direita. Confira:
A PCB de Iasi é um partido membro do Foro de São Paulo, entidade comunista de abrangência continental fundada pelo PT de Lula e por Fidel Castro em 1990, da qual já participou inclusive a narcoguerrilha terrorista conhecida como FARC.
Esquerdistas envergonhados pelas palavras de Iasi têm afirmado que ele "não representa toda a esquerda brasileira"... Será que não?... Será que a maior parte da esquerda tupiniquim é realmente "moderada", "democrática" e "tolerante"?...

Penso que figuras como o Iasi não apenas representam a esquerda brasileira, como são as mais autênticas e sinceras representações da mesma, pois expõem abertamente os seus planos, sem tentar ocultar suas intenções sob discursos de falsa tolerância e bom mocismo. 

A dona Luciana Genro, do PSOL, por exemplo, ama posar de "democrática" e "defensora das minorias", mas idolatra a ditadura cubana a ponto de tirar fotinha na Praça da Revolução de Havana, sorrindo orgulhosa diante da imagem do assassino Guevara, que perseguiu inclusive gays! 

A juventude do PSOL, também conhecida como "Levante 'Popular' da Juventude", fez até videozinho dançante para manifestar sua aprovação ao regime cada dia mais fechado e violento de Nicolás Maduro na Venezuela! Assista:

O PCdoB, que é um dos principais partidos da base aliada do governo do PT, defende abertamente a brutal e fechadíssima ditadura norte-coreana!












O PT, por sua vez, tem um longo histórico de relações mui amistosas com ditadores comunistas, tiranos islâmicos e até com membros da narcoguerrilha terrorista autonomeada FARC, além de ajudar a financiar a ditadura dos Castro com dinheiro público, através do programa "Mais Médicos" e com recursos do BNDES! Veja:


Praticamente toda a esquerda brasileira presta alguma forma de culto ao totalitarismo socialista! Porém, poucos confessam isso em público. O Mauro Iasi, pelo menos, é sincero o bastante para dizer abertamente que gostaria de fuzilar todos os conservadores num paredão! 

Convém também mencionar que o Iasi representa ainda a parte mais "intelectualizada" da esquerda, um legítimo membro do poderoso braço acadêmico do esquerdismo, uma vez que é professor da UFRJ, onde coordena um "Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas"!!! Por incrível que pareça, existem vários grupos marxistas totalitários desse gênero sendo mantidos com recursos públicos, com dinheiro do povo, em diversas universidades federais e estaduais!

“Esquerda moderada”, no Brasil, é o PMDB, o tucanato e os partidos oportunistas congêneres. 

A direita conservadora, por aqui, simplesmente não tem legenda partidária que a represente! E, mesmo sem termos sequer uma representação política consistente que fale por nós, a esquerda já nos quer no paredão... Imagine só se tivéssemos alguma voz!...

domingo, 4 de outubro de 2015

Desunindo famílias e festejando fracassos

Esta tarde, zapeando canais na TV, deparei-me com aquele programa idiota e deplorável da Regina Casé ("Esquenta") promovendo uma imbecilidade, uma coisa inconcebível numa cultura sã, chamada "festa de descasamento"!... 
Isso mesmo, você entendeu direito! Tem gente que "festeja" o fracasso do próprio casamento (e que, provavelmente, nem lutou para salvá-lo, preferindo a via fácil e cômoda do divórcio a fazer esforços para honrar o "sim" dado ao cônjuge diante de Deus e das testemunhas)!

Hoje em dia é assim: as pessoas comemoram o próprio fracasso, gabam-se dos próprios vícios, brindam à própria covardia, tudo na tentativa vã de "preservar" a psique de uma autoimagem deprimente, porém realista e necessária ao crescimento pessoal e à superação dos próprias faltas. 
E a grande incentivadora desta cultura acovardante e egoísta, como não poderia deixar de ser, é a porca da grande mídia, que há décadas deteriora os valores do povo brasileiro e promove a desarmonia, o egoísmo, a fragmentação e a dissolução das famílias, para a tristeza dos filhos do casal (podendo causar neles todas as tristes consequências da Síndrome da Alienação Parental) e de Deus, que expressamente disse que o homem não devia separar o que Ele uniu. 
Se algum dia me convidarem pra uma "festa de descasamento", vou fazer questão de aceitar o convite e, no meio da festa, dizer em voz alta umas boas verdades sobre esta infantilidade absurda!

domingo, 13 de setembro de 2015

A sabotagem do cristianismo que pavimenta o caminho aberto para o avanço do Islã

"O Islã é só uma cultura diferente com a qual precisamos aprender a conviver.", dizem os nossos contemporâneos multiculturalistas.
"Nem todos são radicais. A religião deles, em si, é pacífica.", dizem os politicamente corretos e "ecumênicos".

Antes de entrar propriamente no tema deste artigo, convido o estimado leitor a assistir os vídeos que seguem, nos quais temos muçulmanos falando, em inglês claro e inequívoco (com legendas em português), sobre suas próprias pretenções:





Como chegamos a esse ponto? Como é que as nações ocidentais, famosas pela promoção da  "liberdade", da "laicidade" e da "diversidade" veem-se agora infiltradas por extremistas que abertamente promovem a violência e o desprezo por tudo aquilo que o Ocidente contemporâneo elegeu como princípio!?

Ora, isso é nada mais, nada menos, do que o resultado da descristianização do Ocidente! 

O pensamento moderno, revolucionário e iluminista, repudiou o cristianismo tradicional, estigmatizando a Fé que edificou o que há de melhor na cultura e nas instituições do próprio Ocidente como coisa "retrógrada", "repressora", "inimiga da diversidade" e sei lá mais o quê. 

Difamaram a história da civilização cristã medieval para gerar repulsa pela cristandade, dizendo que a supremacia da Fé cristã nas sociedades europeias trouxe uma "era de trevas" ou, por exemplo, que "as cruzadas foram um ataque gratuito e injustificável contra os pacíficos muçulmanos". Autores de ficção e cineastas cínicos ajudaram a espalhar tais imagens e a impregná-las na cultura popular. 

Filme de Ridley Scott mostra guerreiros cristãos como sádicos e os muçulmanos como bonzinhos
Antes disso, Lutero, Calvino, Henrique VIII e outros ditos "reformadores" já haviam transformado a cristandade numa colcha de retalhos. Mais tarde, os iluministas ateus e demais materialistas modernos e contemporâneos baniram a fé cristã para a clandestinidade, perseguindo violentamente os que insistiam em professar os valores do Evangelho (como na França jacobina e nos regimes comunistas) ou relegaram-na à inexpressividade da vida privada, impondo um degenerador secularismo no âmbito público, como vemos hoje na maioria dos países ocidentais, inclusive no Brasil.

Eles estão se lixando para os discursos de "tolerância", "diversidade" e "multiculturalismo".
Ou seja, nós rejeitamos uma crença forte que nos deu, além das universidades e do apreço pela razão, os melhores e mais elevados valores humanos e espirituais, testemunhados pelo sangue de tantos valorosos mártires. E substituímos aquela Fé vigorosa pelo ridículo multiculturalismo contemporâneo, dando aos jihadistas islâmicos tudo o que eles precisam para tomarem conta do Ocidente: intolerância para com o cristianismo tradicional e tolerância excessiva para com todas as demais doutrinas e ideologias!
Quando se troca uma crença forte, edificante e heroica, por uma ideologia fraca, decadente e ridícula, que só se tornou hegemônica pela influência das elites intelectuais e do Estado, é evidente que se está abrindo caminho para que uma outra crença forte avance e conquiste espaços que ela jamais conquistaria facilmente, se ainda houvesse uma doutrina substanciosa capaz de lhe fazer oposição.

No livro Nostalgia do Absoluto, George Steiner atesta: "Esta secagem [da fé cristã], que afectava o próprio centro da moral e intelectualidade ocidentais, deixou atrás de si um enorme vazio. Onde existe um vácuo, manifestam-se novas energias e substitutos." (Relógio D'Água Editores, 2003, p. 12)

Para completar o desastre, há ainda o fator demográfico. Já abordamos neste blog a insana revolução cultural e sexual que agitou o final da década de 1960 e que foi inoculada nos miolos moles dos jovens estudantes por professores marxistas e outros revolucionários que haviam perdido a batalha ideológica em outros campos, levando aqueles jovens a perda de referências morais e a se entregarem a maluquices que vão do deprimente existencialismo sartreano ao uso de drogas.

Ora, aquela revolução comportamental e ideológica, ao mesmo tempo em que disseminou as mais decadentes ideologias e atitudes, anulando entre as novas gerações, quase por completo, a moralidade bíblica e os sentimentos cristãos da população, estimulou o uso da pílula, do aborto e de outras formas de controle de natalidade, o que facilitará a tomada do Ocidente pelo Islã através da expansão demográfica, já que as mulheres muçulmanas têm muito mais filhos do que as ocidentais.

Assim, o homem ocidental tornou-se, na prática, um descrente, egoísta, hipócrita e hedonista que, para compensar sua miséria moral, adere a discursos politicamente corretos de "pluralismo e tolerância" com aparência de bom-mocismo sem sequer refletir criticamente sobre eles.
Bom para a Jihad. Ruim para quem ama a liberdade e os salutares valores do Evangelho.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O que faz os países pobres serem pobres?

A principal causa da pobreza material e intelectual que dificulta a vida em tantos países onde a renda per capita e o IDH estão abaixo da média mundial tem pouco a ver com fatores culturais, dificuldades históricas e localização geográfica e muito a ver com o tipo de governo que eles têm e com os governos que tiveram nas últimas décadas. (Abaixo, gráfico do mapa mundi indica a renda per capita dos países).
É só estudar a história recente dos países pobres para constatar que a economia tende a permanecer estagnada onde o Estado é dominado por quadros políticos de mentalidade patrimonialista, populista, revolucionária, socialista, intervencionista ou ultranacionalista. Tais ideologias políticas estatizantes aumentam a burocracia, estimulam o vicioso paternalismo estatal, inibem a livre iniciativa empreendedora, tornam o estado inchado e oneroso, favorecem a corrupção e afugentam investimentos. Elas atravancam a economia e perpetuam o estado de pobreza como nenhum outro fator de empobrecimento!

Religião?

Há quem diga que a religiosidade de um povo é um entrave ao desenvolvimento econômico por focar excessivamente nas importâncias espirituais. Sugerem que, quanto mais um país é constituído por pessoas religiosas, mais pobre ele tende a ser, ao passo que, quanto mais alheio à religião um povo for, mais rico se tornará. Por essa lógica, na Coreia do Norte, que é um país onde todas as pessoas são  forçadas pelo governo a seres ateias, deveria haver um paraíso de prosperidade e não um imenso gulag fustigado pela fome e pela repressão estatal.


Os defensores dessa tese não aceitam o exemplo dos EUA como contra-argumento porque, invocando Weber, afirmam que a religiosidade norte-americana é de um tipo excepcionalmente favorável ao progresso material por valorizar a prosperidade terrena como prelúdio da salvação celeste. 

Bem, aqui cabe lembrar que as agremiações religiosas estadunidenses nunca se resumiram apenas a protestantes adeptos da chamada Teologia da Prosperidade. Primeiro, nem todos os grupos protestantes com forte presença nos EUA professam essa teologia. E, segundo, a presença de católicos e religiosos de outras confissões também é notável no país. Quem não sabe que uma das festas mais populares de Nova Iorque acontece no dia de São Patrício (St. Patrick's Day), o santo católico que usava o trevo de três folhas para ensinar sobre a Santíssima Trindade aos pagãos e cuja história ficou famosa nos EUA graças à influência de numerosas famílias católicas de origem irlandesa que desembarcaram no continente americano há muitas gerações?... 


Garotas de ascendência irlandesa celebram o St. Patrick's Day em Nova Iorque
Além disso, convém recordar que a população de vários países com alta renda per capita e elevado IDH declara-se majoritariamente religiosa. Alguns exemplos: Suíça (cerca de 75% de seus cidadãos são cristãos, além de outras confissões), Itália (87% só de católicos), Luxemburgo (mais de 70% são cristãos), Mônaco (cerca de 95% só de católicos), Espanha (mais de 70% são religiosos), Irlanda (mais de 80% só de católicos), Inglaterra (67% são religiosos), Coreia do Sul (53% professam alguma religião), Austrália (61% só de cristãos), Singapura (mais de 80% são religiosos), Taiwan (mais de 68% só de budistas e taoistas), além de Hong Kong, Brunei, Qatar e Emirados Árabes Unidos, que são nações ricas onde quase 100% da população professa alguma crença religiosa.
Não custa atentar também para o fato de que a Europa se consolidou como continente mais rico e poderoso do mundo ainda na Baixa Idade Média, quando o cristianismo se mantinha como uma força altamente influente nas nações europeias, embora também seja verdade que a Igreja por muitos séculos tenha combatido a usura (empréstimo a juros) e pregado a doutrina antiliberal do "justo preço", o que certamente freou um pouco aquela ambição individual indispensável ao desenvolvimento capitalista. Por outro lado, é um fato histórico igualmente comprovado que a Igreja foi, se não a maior, uma das maiores forças dinamizadoras do processo civilizacional do Ocidente. Processo civilizacional que levou, consigo, prosperidade material para uma Europa que poderia estar hoje mais atrasada do que a África subsaariana, se o barbarismo de hunos, magiares, vikings, saxões e vândalos tivesse prevalecido em vez do cristianismo.

Sim, a Igreja forneceu elementos indispensáveis para que a Europa enriquecesse! A esse respeito, podem ser consultadas as obras abaixo:
O autor é Ph.D. pela Universidade da Califórnia, Berkeley

O autor é Ph.D. pela Universidade de Harvard
Embora possa parecer paradoxal que a prosperidade material seja favorecida por uma instituição que valoriza a modéstia e a pobreza individual, compreende-se perfeitamente como funciona essa "geração de riqueza, na pobreza" observando as ordens e congregações católicas: os seus membros individuais vivem modestamente, mas trabalham com diligência e, com isso, enriquecem as instituições das quais fazem parte. É isso o que explica, além das doações e heranças deixadas por leigos devotos, o grande número de propriedades pertencentes às ordens católicas. As pessoas físicas consagradas trabalham e vivem sem luxo pessoais, o que possibilita que a pessoa jurídica - a instituição - se enriqueça rapidamente, graças ao trabalho modesto e abnegado de seus membros. É isso que fazia, já na Europa medieval, com que os mosteiros se multiplicassem. E, graças ao trabalho desses religiosos, a economia local também prosperava, como escreveu Thomas Woods:

"Aonde quer que tenham ido, os monges introduziram plantações, indústrias ou métodos de produção desconhecidos do povo. Aqui introduziam a criação de gado e de cavalos, ali a elaboração de cerveja, a criação de abelhas ou a produção de frutas. Na Suécia, o comércio de cereais deve a sua existência aos monges; em Parma, a produção de queijo; na Irlanda, a pesca do salmão e, em muitos lugares, as vinhas de alta qualidade. Os monges represavam as águas das nascentes a fim de distribuí-las em tempos de seca. Foram os monges dos mosteiros de Saint Laurent e Saint Martin que, observando as águas das fontes espalharem-se inutilmente pelos prados de Saint Gervais e Belleville, as canalizaram para Paris. Na Lombardia, os camponeses aprenderam dos monges a irrigação, o que contribuiu poderosamente para tornar a região tão famosa em toda a Europa pela sua fertilidade e riqueza." (WOODS JR., Thomas E. Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental, Editora Quadrante, págs.32-3).


Localização Geográfica?

Há quem alegue que a má localização geográfica é que faz um país ser pobre. Bobagem! Vejam o Chile, cujo território é amplamente desfavorecido pelo relevo montanhoso e pelo clima frio: possui o melhor IDH e a melhor renda per capita da América do Sul, graças às políticas econômicas liberais de governos responsáveis e austeros. Por outro lado, a Venezuela, uma nação abençoada com um bom clima e terras agricultáveis, vem sofrendo recessão econômica e até crises de desabastecimento em decorrências das "reformas" socialistas que vem sendo implantadas no país desde o governo de Hugo Chávez.
Santiago, capital do Chile, e parte da Cordilheira dos Andes ao fundo.
Entretanto, por incrível que pareça, há quem alegue que a confluência de terreno fértil + clima tropical seria justamente um dos fatores problemáticos que favoreceriam a pobreza, uma vez que, dizem eles, os climas menos propícios para a agricultura funcionariam como estímulo ambiental para o desenvolvimento da indústria.  

Bem, pra derrubar essa tese basta recordar que: 
I) Quase metade da rica Austrália está acima do Trópico de Capricórnio. 
II) As prósperas nações asiáticas conhecidas como Brunei e Singapura estão praticamente sob a linha do Equador. 
III) O Catar e os Emirados Árabes estão praticamente sob o Trópico de Câncer. (Eles tem muito petróleo, mas a Venezuela também tem e ainda assim está em crise.)
IV) Os EUA sempre tiveram muitas terras agricultáveis e o clima é subtropical em grande parte do país. 
V) O Brasil certamente também seria, hoje, uma potência mundial, se escolhêssemos nossos governantes mais segundo critérios racionais e menos por simpatizar tanto com discursos demagógicos e promessas populistas.


Heranças históricas malditas? 

Muitas vezes pretende-se atribuir a pobreza de tantos países às "marcas deixadas pelo neocolonialismo",  à "maldita herança colonial", a conflitos étnicos e religiosos, tsunamis, terremotos, etc. Insistimos, porém, que o maior entrave para o desenvolvimento econômico de uma nação é a sucessão de maus governos que tenham ideologias nocivas, práticas desonestas e políticas econômicas desastrosas.

Dificuldades históricas são superáveis! Basta olhar para a Alemanha, para a Polônia, para o Japão, para a Coreia do Sul, para Israel, para o Líbano, para a Irlanda do Norte e para outros países que se reergueram após guerras, conflitos, catástrofes naturais ou que ainda enfrentem problemas paralisantes, mas que, mesmo assim, seguem se desenvolvendo.
Cidade japonesa de Hiroshima, a mesma que foi destruída por uma bomba atômica durante a 2ª Guerra Mundial